Crítica do show no Rival no blog do Jamari França

Por Jamari França

Rodrigo Santos comanda happening de gerações no Rival 

Rodrigo Santos recebeu nove convidados de cinco gerações numa festa de duas horas e brau para lançar seu DVD nesta quarta à noite no Teatro Rival. Altíssimo astral do começou ao fim com uma platéia inflamada e um palco idem. Há muito tempo não via show do Rodrigo e encontrei-o à frente do power trio Lenhadores, de alta octanagem, ele no baixo, Fernando Magalhães na guitarra e Kadu Menezes na bateria. Depois de cinco anos de carreira solo Rodrigo finalmente se tornou um cantor, bem diferente das indecisões do passado. Ele admitiu isso no camarim e me disse que precisou descobrir o que fazer com a voz e treiná-la. Nesse período gravou dois discos solo de carreira, um de covers internacionais e o DVD.

Fernando Magalhães

A noite foi basicamente uma celebração da Geração 80, do núcleo principal. Rodrigo tocou com vários músicos antes de entrar para o Barão, daí fez um histórico com músicas de Lobão (Vida Louca Vida, Corações Psicodélicos), João Penca (Popstar), Kid Abelha (Na Rua Na Chuva Na Fazenda, de Hyldon, gravada no Acústico do Kid), além de várias músicas do Barão. Tico Santa Cruz e Erika Martins representaram a Geração 90, o primeiro em Por Que A Gente É Assim e ela no bis com Mamãe Natureza. Rod anunciou que ele e Erika vão apresentar o programa Roda de Rock no Canal Brasil em breve. O som estava bem alto, porradão na cara e no peito da platéia, que cantou e dançou a noite inteira, muitas pessoas sem sair das cadeiras, numa coreografia corporal apenas.

Kadu Menezes, El Demolidor

A temperatura deu uma acalmada com a entrada do mestre da bossa nova, Roberto Menescal, empunhando uma Gibson 336, que me disse ser a irmã menor da 335 e mais adequada para ele. Seu estilo é jazzistico, num timbre aveludado, mais em acordes do que solos, sem palheta, uma sonoridade muito requintada. Rod ao violão, sem banda, cantou com ele Você, de Menescal e Boscoli, ele dando uma desafiada no Rodrigo quando vinha uma nota alta e Rod chegou lá direitinho. E ainda Pro Dia Nascer Feliz e Roxanne, do Police, numa recriação do mestre, tocada por ele com Andy Summers, do Police, em muitos shows. Nisso veio o showman Miele, que contou piadas e cantou uma versão sua da Festa de Arromba de Erasmo e Robert Carlos, com versos tipo “Tim Maia não vem mesmo, mas vale o seu ingresso. Acabam de chegar os Paralamas do Sucesso.” Mieli contou que estava na platéia com o rock comendo solto e sua mulher lhe perguntou se ele ia entrar ali. O homem encarou e se deu bem. Sorte que não era platéia de heavy metal ou ele ia virar picadinho. Menescal também brincou que camarim de rock era mais bem servido que camarim de bossa nova.

Tico Santa Cruz

Marcos Suzano, um dos tops da percussão mundial, tocou um pandeiro endiabrado (ou santo) com o trio em Pense e Dance, numa rapidez malemolente de não deixar ninguém parado. Leoni, parceiro de fé de Rodrigo, cantou a parceria dos dois que dá nome ao segundo disco solo do anfitrião, O Diário Do Homem Invisível, e Exagerado, sua parceria com Cazuza. Lembrei de uma história que o Leoni contou há muitos anos atrás, quando começou a voltar de uma longa parada em alguns shows. Um espectador perguntou por que ele só cantava músicas dos outros, sem conhecer o currículo de composições dele.

Roberto Menescal

E vamos em frente. Para as canções Um Pouco mais de Calma e Nunca Desista do Seu Amor, o trio porrada recebeu o reforço do violinista Allyson Campos, um Ian Anderson à brasileira, que enriqueceu as canções com seu timbre agudo e levadas precisas, enquanto Kadu trovejava como sempre e Fernando Magalhães mandava ver em levada e solos distorcidos. Já na reta final entrou Jerry Adriani, da Jovem Guarda, para Vem Quente Que Eu Estou Fervendo e Quando o Sol bater Na Porta do Seu Quarto, da Legião, cantada em italiano. O fecho foi Popstar, gravada por Rodrigo e Kadu junto com João Penca e Seus Miquinhos Amestrados, que Rod disse ter sido deu cartão de aceso para a cena rock.

Miele tocou air guitar

No bis, ele recebeu ao violão o poeta Mauro Santa Cecilia que cantou sua Por Amor, feita com Frejat e Mauricio Barros para o Barão e anunciou que está gravando um disco produzido por Rod. Pelo que mostrou a voz é mais para a escola minimalista da bossa nova do que para o rock. Em seguida, Erika Martins emprestou voz, presença e beleza em Mamãe Natureza, de Rita Lee. Para fechar com todos no palco, o clássico Twist And Shout, o sucesso dos Isley Brothers imortalizado pelos Beatles.

Marcos Suzano

Rodrigo segue solo e com 15 shows agendados este mês e, em abril, além dos ensaios com o Barão Vermelho para a turnê que deve começar em maio, pelo 30º aniversário do primeiro LP da banda, que será relançado, remasterizado e remixado com faixas bônus.

Leoni

O show de abertura foi de Marilia Bessy num heavy acústico com muita disposição e excelentes voz e interpretações. Ela mandou músicas próprias e alheias, com destaque para um medley de Tim Maia com inserção de Ed Motta e de um “Get Up!” de James Brown. La Bessy Rocks!

Allyson Campos

Jerry Adriani

Rodrigo e Mauro Santa Cecilia

Erika Martins

Shake it up baby, now, Twist And Shout! (ao centro Marilia Bessy)

2 comentários em “Crítica do show no Rival no blog do Jamari França

  1. STELLA PAULA disse:

    Showwwwwwwwwwwwwwwwww MARAVILHAAAAAAAAAAAAAA!
    Rodriguinho e família das artes!
    Parabéns a todos!
    Yeahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!:)))

  2. STELLA PAULA disse:

    Essa crítica do show no blog do Jamari França, foi linda e perfeita , como realmente se passou!

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