Diário de Bordo – Brasília

Chegando em Brasília, fomos recebidos pelo Reginaldo no aeroporto. Uma van bem bacana estava a nossa espera. Dali prum hotel que ficava perto do show, no Ascades Náutica, um lugar semelhante a um Marina da Glória, no RJ.

O hotel era classe A e eu já tinha ficado em carreira solo lá outras vezes. Fui assistir ao jogo do Brasil num coffe shop muito simpático que ficava na recepção, enquanto meu empresário fazia nossos check-ins.

O Brasil precisava da vitória contra a França para ir pra final pela quarta vez seguida no Mundial de Vôlei. O jogo foi decidido no tie break e fiquei ali tomando um cafezinho com pão de queijo junto com meus parceiros de banda. Depois da vitória fui pro quarto.

Brasília é engraçada. Na época em que eu era doido, era um lugar em que elegíamos como o único em que nunca havíamos voltado pra casa sem estar virados e alucinados. Mas em carreira solo era a décima vez que eu ia, e sempre limpo. Que diferença. No primeiro show solo (no O Rilleys do Luisca e Bi Ribeiro), eu tive canjas dos meus amigos Digão e Phillip Seabra. Isso foi em 2007 e era o primeiro show que eu fazia solo fora do RJ. Minha primeira viagem solo interestadual. E foi demais o show!

Sempre tive uma relação maravilhosa com essa cidade. Desde os tempos de Lobão na década de 80. Uma cidade que abraça o rock. E lá sempre tocou música minha na rádio, a Nova Brasil FM. “Nunca Desista do Seu Amor”, “Estrangeiro” e “Azul” foram bem na rádio. E então continuo tenho ótima relação e muitos amigos na cidade.

O que ainda faltava pra mim (ou nós) era aquele super show, que pegasse uma multidão e fosse no ângulo. Eu devia isso a cidade e ela me devia isso. Cheguei a fazer um casamento da altíssima roda em 2012. Só limusines. Uma ação para Estrelas do Bem (campanha beneficente em que fiz a música-tema para o Retiro dos Artistas) e alguns shows em Taguatinga, Águas Claras e no América Rock, além do O’Rileys. Fiz também em 2011 uma participação na festa anos 80 para 5000 pessoas que arrebentou. Mas fui sozinho, sem o trio.

O jornal Correio Brasiliense falou muito bem do meu último disco, “Motel Maravilha”. E eu estava me sentindo muito bem naquele hotel, tinha uma sensação de que ontem seria um grande dia. O dia da virada.

Era uma festa tradicional no Ascades (Balako), com uma galera formadora de opinião. Passamos o som às 20:00 e estava tudo ok! Fomos pro hotel jantar e às 23:00 voltamos pro local do show. Marcamos com amigos de Brasília lá na porta. Chegando lá, uma multidão pra entrar.

Seguramos o show pra começar 1:30 e quando estivesse todo mundo lá dentro! O camarim já estava lotado e uma festa. Eu fico meio alheio a essa festa, pois me concentro muito em shows que quero arrebentar. Não que não antenda todo mundo e troque ideias, mas também já estou em função do show. Checo meu som várias vezes, afinação, fone, amp, e deixo tudo ok. Troco cordas, baterias dos baixos ativos, etc.

Quando entramos no palco o clima que já vinha do camarim era propício ao que ia acontecer. A divulgação fora muito boa e a festa por si só já seria bacana. Éramos a única atração. O show começou lá em cima com “Maior Abandonado”, “Remédios”, etc. O público entrou na onda e fiz homenagens às bandas de Brasília como Legião, Plebe e Raimundos.

Claro, em Brasilia nunca deixo de citar “Que País é Esse” pra escutar os gritos de “é a porra do Brasil”, afinal, estou no cume da ladroagem, palácio, Congresso, etc. No final vários bis e o dono do evento (que subira já no palco para nos anunciar no início), voltou ao palco pra nos pedir mais um bis.

Em cima do palco eu chamava todo mundo pra cantar as últimas duas músicas. Chamei gente da plateia também! Foi uma loucura. Ao final de tudo, o camarim ficou lotado e o sucesso era notório. Muito legal ter isso só com a música. Essa interação toda sem eu precisar de álcool e drogas. Apesar de rolar de tudo depois de um show tão emblemático em Brasília.

Dediquei o show ao meu amigo Luísca (que estava lá também). E várias pessoas do SESC de Cultura, contratantes etc, pegaram nosso cartão para futuros eventos. Tocamos com gás total!

Depois de umas horas no camarim, partimos pro hotel pra dormir uma horinha apenas, de 5:30 às 6:30, acordar, tomar café e partir às 7 pro aeroporto, de volta ao Rio. O aeroporto de Brasília está de primeiro mundo, porém ficou tudo muito longe! Andamos cansados por uns 2 km até o embarque.

Escrevo agora do avião, fiz umas fotos por aí e estou confortavelmente instalado na minha poltrona escutando James Taylor e em vez de dormir, escrevi esse diário dessa viagem inesquecível. Ganhamos Brasília definitivamente!

Hoje, será um domingo com a família. Um tanto cansado, porém sabendo que estamos no caminho certo, fazendo as coisas com raça, amor, dedicação e muita diversão. Isso é rock’n’roll! Viva Brasília e o James Taylor aqui no meu fone! Chega, vou dormir meia hora! rs

Epa, chegando no RJ o avião quase parou na água da Baía de Guanabara! Que aterrissagem horrorosa! Bem, em solo!

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