Diário de Bordo – Fest Rock Governador Valadares

Governador Valadares Fest Rock – Dias 5 e 6 de setembro.

Desde que parei com drogas, sempre desviei um pouco de encontros em quartos de hotel, bebidas, etc e por isso apenas em poucas ocasiões participo de situações que permitam até o surgimento de uma nova música, ou até confraternização-parceria de bandas.

Com os Voluntários da Pátria aconteceu uma vez em Curitiba e foi lúdico, bacana. E agora em Valadares também, com Podé e Maurinho do Tia Nastácia. Foi espontâneo e por isso uma situação que se desdobrou do jantar, depois na levação de som no quarto do Podé, na composição de uma canção e de participações de uns nos shows dos outros nesse Fest Rock.

Mas tudo começou antes. Saímos do RJ e já parecia um dia de encontros promissores. No aeroporto uma turma enorme de músicos e amigos. Catatau, Moska, João Viana, Dadi, Serginho (guitarra do Gil), Billy Brandão, Guilhermão (técnico do Barão em 90), Roberto Ramos (técnico de PA e estúdio), João Damasceno (técnico de som desde os anos 80), Vasco (ex-WEA e atual empresário de várias bandas).

Alguns iriam no mesmo voo que a gente pra BH e, na conexão em Confins, cada um um seguiria pra uma cidade diferente, com turbo-hélices diferentes da AZUL. Moska iria pra Ipatinga, nós pra Valadares. Lembramos de muitas histórias sensacionais. Moska e eu lembramos dos Bizarros (com Billy Brandão), banda que tivemos em 91.

No avião também foi legal, com piadas, brincadeiras e misturas de personagens que se conhecem há 20, 25 anos de vários trabalhos. Muito emocionante. Todos ali conseguiram viver do que escolheram viver. Isso me bateu nostalgicamente e troquei ideia com Vasco sobre isso.

Quando chegamos em Governador Valadares, já me lembrei do show que fiz com os Lenhadores no ano anterior, numa casa noturna. Foi bacana. Lembrei também do show que eu e Kadu fizemos com Lobão em 88, na etapa mundial de voo livre. Pepe Lopes levou som de viola com a gente no quarto do Lobão, mostrando seu disco novo. Depois saímos todos para um bar naquele ano de 88, após a premiação.

Voltando a 2014… O aeroporto de Valadares é daqueles ainda pequenos, onde se sente o cheiro do pão de queijo e nem esteira de bagagem tem. Viajamos em 5 dessa vez, com meu empresário Luiz Paulo e com o Dico. Ficamos esperando a van chegar, na saída do bucólico aeroporto.

Quando chegamos no hotel (um ótimo hotel), nós já brincávamos com o motora, pois parecia que ele mudava de cara toda hora. Era o mesmo, mas pareciam vários. No hall do hotel San Diego, encontramos nossos amigos do Suricato e do Tia Nastácia.

O legal é que antes de subir pro quarto e sair pra almoçar, troquei ideias e fotos com os Tia. E ali falei: podíamos compor hein? Já que vamos ficar 2 dias juntos no hotel! Eles acharam ótimo! E aí falei: tenho 17 letras que trouxe aí. Podé respondeu: pô, eu tenho 17 desejos! E estava selada a ideia pra primeira letra que começaríamos a escrever no jantar a noite, antes do jogo do Brasil, que veríamos no quarto de Podé.

Dali fui pro quarto, que era uma suíte bem bacana, com 2 ambientes. Parti depois com Luiz pro shopping e encontramos Kadu e Fernando. Eles Já estavam no Comida Mineira, um excelente restaurante com atendimento de primeira. Sentamos e trocamos ideias sobre o show à noite.

Fomos passar o som e o problema era não mexer no som do Suricato (que inclui muitos instrumentos exóticos espalhados pelo palco). Nessa hora sou sempre super companheiro e não me comporto como artista estrela. Vamos passar sem mexer as coisas do lugar. A gente consegue. E Kadu usou a mesma batera, da produção local. Eu não mexi na equalização do AMP de baixo, apenas no volume. Impressionante como somos fáceis e rápidos de trabalhar. As equipes de som ficam chocadas com a gente. E o público também.

Passamos o som às 20hs, voltamos ao hotel e iríamos atacar às 4:00 da manhã. Cheguei no hotel, a galera foi no shopping e eu fui jantar no restaurante do hotel. Encontrei Podé e Maurinho de novo. Eles me chamaram pra sentar. Eu ia ficar 5 minutos, acabamos ficando juntos até 00:30. No jantar sentou também a Di, da Claro, e acabei falando de toda a carreira solo. Kombi, CDs, DVD, etc. Eles tinham o meu primeiro solo.

Enquanto falávamos, Luiz trazia um Big Mac pra mim, mas não sabia que eu estava lá no restaura. E foi pro quarto. Comi o sanduíche às 23:30, borrachudo, no intervalo do jogo do Brasil, depois de completar a canção que Podé começou a escrever na mesa do restaurante inspirado nos papos do momento.

Essa letra ele me deu (eu tinha folha de papel), olhou pra mim e falou: acaba ela, véio! E eu falei: vou ao banheiro no quarto, e depois vou no seu quarto com mais várias estrofes feitas, eu prometo! Em meia hora tô lá. Ele: vai mesmo né? Vou levar meu novo Martin que trouxe de NY. Senti a maior firmeza nos caras do Tia Nastacia. São muito gente boa! E rolou uma amizade espontânea, coisa rara no estranho e chato meio musical, onde as pessoas são extremamente fúteis e previsíveis! Eu gosto do improviso, do inusitado. Eles também. E realmente fui para o quarto da galera, levar um som já com a letra feita também no meu quarto.

O quarto cheio de bebidas, gente, isso não me incomoda quando a vibe é boa. E conheci mais a história dessa banda nos papos e histórias. Pegamos 2 violas e já fizemos a melodia (Podé achou uma boa linha de acordes e melodia, eu fui completando). Depois gravamos no iPhone pra não esquecer e ele já me convidou pra estrear no show solo dele a música, em 2015. Aí vimos todos (meu empresário também) o gol do Neymar na era Dunga e fui pro quarto deitar 1 hora e levantar pra ir tocar às 4.

Ao descer pro saguão, Rodrigo Nogueira estava chegando do show do Suricato e fizemos fotos. Chegamos no show às 3:30. Tinha muita gente ainda, apesar do horário, e comecamos a tocar às 4:15. O show foi pegando, pegando e explodiu! O público adorou e ali anunciei que a produção nos convidara pra tocar no dia seguinte de novo!

Esse show acabou com o dia já claro, com muita gente pedindo mais e mais bis. Distribuí CDs, fiz muitas fotos às 7 da manhã com sol já forte, e deixei combinado com o Tia Nastacia uma canja no dia seguinte no show deles e eles no meu. Combinamos no quarto antes do show, “Bete Balanço”, “Por Que A Gente é Assim”, “Malandragem”, “O Sol” e “Mulher de Fases”. Adorei ser convidado também por eles. O TIA é estouradaço em MG e se amarram no Barão. Empatia solo também rolou forte, com Lenhadores e eles.

No café da manhã, quando voltamos, encontramos os Suricatos, que já estavam indo de ônibus embora pra MG. 3 dos 4 Suricatos ficaram até às 6 da manhã vendo nosso show da plateia no Fest Rock. E o Thiago (Roadie Suricato) filmou o show todo do palco.

Mais histórias no café da manhã. Aí fui dormir, de 8 às 16hs de sábado. Acordei, vi o volley do Brasil, vi o futebol do Flamengo e fui comer com Luiz numa padaria excelente em frente ao hotel. Dei uma comida de presente para um mendigo que pediu pão e leite. Falei pra ele comer o que quisesse que eu pagava. Voltei ao quarto, fiquei até 23hs e partimos pro segundo show que começaria às 00:30.

Na recepção imprimi as letras que faríamos nos shows uns dos outros. O pessoal do Tia Nastacia foi com a gente no microônibus. Só astral. Chegamos já pro palco e combinei q depois de “Codinome Beija-Flor”, eu chamaria os 2. E foi demais! O público veio à loucura!

Tava mais cheio que sexta e era mais cedo. Pra facilitar e não mexer no som do Tia Nastacia, montamos a nossa bateria na frente do palco (na frente da deles) e nos transformamos em Crazy Horse, juntinhos em trio.

Na noite anterior nós fechamos o palco principal, nessa segunda noite nós abrimos. No camarim tinha um prato de frios escrito Banda Surpresa. Éramos nós…rs. Era tão surpresa que fomos barrados por um cara da produção pra subir no palco…rs.

Bem, nosso show começou e a galera do Tia assistiu do palco. O público cantou até “Pense e Dance”! A participação deles em “Por Que A Gente é Assim” (a terceira das músicas que fizeram conosco) foi uma porrada! E depois segui com o show até “Pro Dia Nascer Feliz”.

Se no primeiro dia, essa música realmente rolou às 6 da manhã, junto com “Quando O Sol Bater na Janela do Seu Quarto”, fazendo jus ao horário já claro, no segundo dia essa catarse aconteceu às 2 da manhã! Sucesso total, fotos, autógrafos, entrevistas, os lenhadores venceram! E meus companheiros de lenha foram embora pro hotel. Eu fiquei para a canja com o Tia. E já me chamaram na quinta música, pois eu tinha de ir pro aeroporto. Me deixaram super a vontade. Eu já estava no palco vendo o show, e a apresentação foi muito legal. Me anunciaram com o maior carinho e o público aplaudiu bastante pois acabáramos de tocar também.

Cantamos no maior gás, fiz um discurso sobre o Tia e eles sobre mim. Me despedi, e fomos eu e Luiz pro hotel depois de mais fotos e fotos. Cheguei no hotel às 5:30 da manhã, fiz a mala, desci pra tomar café, encontrei os Tia chegando do show. E Ricardo Koctus do Pato Fu foi o baixista do Tia Nastacia, o que me deixou mais a vontade ainda, pois somos muito amigos. Ele estava substituindo o baixista do Tia.

No café da manhã falamos um monte de histórias hilárias e minha banda teve de me arrastar para a van pra partir. São 8:20 agora. Estou chegando no aeroporto de Ipatinga, escrevi esse texto todo nesse trajeto enquanto todos dormiam. Saímos de lá 6:30. São 8:30. Vou embarcar pra BH e depois pra RJ e depois carro pra Teresopólis.

O tempo tá nublado e lá vamos nós de novo de turbo hélice. É a vida na estrada, agora com muitos encontros produtivos! Estou adorando a carreira solo! Have a nice dream nos aviões! Mais encontros para hoje, com Sérgio Serra (The great) fazendo participação conosco.

Essa é a vida que eu fiz!

– Rodrigo Santos

Um comentário em “Diário de Bordo – Fest Rock Governador Valadares

  1. Larry de Paula Alves disse:

    Fala Rod, tudo bem? Saudades…adoramos seu diário de bordo…sensacional…estará em CURITIBA no dia 15? Qual shopping?
    Abraço,

    Larry/Larissa

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