Diário de Bordo – Paraná

“Hoje estamos partindo para uma daquelas maratonas de 5 shows seguidos, que frequentemente fazemos, dormindo poucas horas e tendo de ter um controle sobre a voz, pra não desgastar para o último show da tour.

Nessa hora eu já saio de casa com tudo preparado numa mala e numa mochila, pois andaremos de avião muitas vezes e de carro outras tantas. Por isso a necessidade de mala e mochila, pois certas coisas tem de se despachar (como roupas em grande quantidade) e outras precisam estar a mão, como escova de dentes, boinas, pasta de dente, pente, shampoos pequenos, gilete descartável, remédios que tenho de tomar no dia a dia, livro, um som que escuto apenas no avião e na van (que não é o iPhone pra não gastar bateria do mesmo), camisas reservas (em caso de ir direto pra rádio ao chegar, etc), óculos escuros e de grau (o segundo passou a ser o mais importante…rs), iPhone, iPad (para textos maiores, letras, etc que por ventura venha a fazer na estrada), carregadores, cordas de baixo (sim, se a mala extraviar por exemplo, comigo estarão as cordas, palhetas, remédios etc, coisas que não podem faltar na estrada em caso de falta de tempo de se ir em farmácias, lojas de música ou hotel, pois nesses casos temos de otimizar o tempo e dormir em horas quebradas, quando der, seja em avião, van, ou 1 hora na cama do hotel).

Geralmente viajo no corpo com a bota e a calça oficiais de show + 1 camisa que uso no palco, a boina e levo duas camisas de show na mochila, pois também se extraviar a mala, a roupa oficial de show está comigo já. O resto compraria em algum lugar de passagem. E deixo três despertadores prontos pra tocar sempre, pois não se pode perder numa viagem dessas nenhuma logística, para não derrubar as outras e se deparar com gastos extras como emissão de novos bilhetes aéreos, aluguel de carros, restaurantes que não estejam incluídos nas diárias de alimentação e quaisquer tipos de intempéries como ida pra rádios, TVs, etc.

Coloco três despertadores já na véspera no RJ, pra sair de casa sem atraso e chegar duas horas antes no aeroporto. Durante as cidades, peço também pro hotel me acordar (aliás, falham muito nesse quesito, esquecem de ligar) e deixo meus dois telefones sempre carregados para o caso de contratantes ou do motorista da van me ligarem.

Aliás, ao chegar no hotel, já coloco ambos pra carregar e assim não os deixo desligar quando estou no meio de uma logística importante (seja de venda de shows, de posts no Facebook para os diários de bordo, nas fotografias para o dia a dia, no contato com a família, etc). Isso é muito importante para o bom andamento de shows muito seguidos e com logísticas diferentes. É a parte produção, que faço junto com Kadu e Fernando.

No RJ, eu e Luiz Paulo (meu empresário), preparamos as logísticas de bilhetes e trajetos, antes mesmo de enviar aos outros, pra deixar tudo já mais organizado.

Luiz organiza a parte toda de telefones dos contratantes e hotéis, junto comigo. Kadu desenvolve essa parte muito bem depois também. Mando na véspera todos os bilhetes aéreos de todos os trechos, para o Kadu e ele gosta de fazer a reserva dos assentos, portanto nunca pegamos meio ou janela, sempre corredor, como gostamos (manias de estrada).

Enquanto isso, nos carros ou vans, Fernando fica conectado ao Wase e Google Maps, para andarmos sabendo o que está acontecendo pelos trajetos (sempre passamos por acidentes, obras, trânsitos, etc). E quando o carro não tem MP3, Fernando solta os sons do iPad que leva pra estrada. Portanto, som não falta.

Nos aviões, escutamos som individualmente (até porque escrevo letras no avião sempre), em nossos iPhones ou aparelhos que tivermos. Já nos carros escutamos juntos ao mesmo som. Todos nós levamos MP3, e caso o carro ou van tenha esse tipo de assessório, nos revezamos como DJs.

Quando saio do RJ, geralmente emito um email pra mim com agenda de shows até o final do ano e também com os telefones de todos os motoristas e contratantes da viagem em questão.

No caso da agenda, é porque fico fora do RJ no meio de semana nessas horas, e começam a chegar consultas, pedidos de shows, remarcações, novas logísticas, então tenho de estar com tudo a mão na hora. Emito a agenda atualizada para meu próprio email e está tudo ok. Às vezes o Nextel não pega, então levo o Vivo, pois pega no país todo. Fico conectado também nos 3 Facebooks e email de todos.

Os Facebooks me deixam sempre com a sensação de estar viajando com mais gente, pois rolam dicas de restaurantes, as pessoas se solidarizam com nossos trajetos, nossas roubadas, nossas vitórias de shows lotados, etc. Muitos ajudam quando estamos sem um instrumento, quando alguém fica doente etc, com indicações de médicos, empréstimos de instrumentos etc.

Conhecemos gente no Brasil todo e estamos conectados a essas pessoas, nossos fãs e/ou amigos de longa data. Já o Instagram e Twitter não oferecem muito isso. Mas usamos também. Bem, partiu aeroporto.

Paraná é um dos estados que nos abraça e tem mais tocado músicas do cd ‘Motel Maravilha’. Começando a turnê pelo Casa Cor Curitiba (um evento fechado dentro do stand da MGM Operadora, parceira de vários shows já) hoje.

A viagem de avião foi tranqüila e encontramos Moska no aeroporto do RJ. Sempre um bom papo, de brother, já às 7 da manha. O vôo da Azul tem sido confortável, poltronas de couro, TV a cabo, bom ar-condicionado. Peca às vezes pelas equipes em terra, muitas vezes sem precisar informações e errando itinerários de bagagem, porém isso é de toda companhia aérea, acredito eu. Pelo ar tem sido muito boa.

Chegando em Curitiba, e depois de encontrar o motorista da van e também marcar com meu divulgador de rádios no PR, Rui, fomos almoçar com o amigo Roberto da MGM, porém o Bologna estava fechado. Na porta do Bologna fechado criei um post que rendeu muita gente comentando e curtindo: uma foto minha com Kadu, sentado no banco em frente ao restaurante, do lado de fora. Fernando bateu a foto. Era um post bacana, um momento de paz sentado num banco de praça e de sobre como eu e Kadu tocamos juntos desde 1979. “Essa dupla de baixo-batera sentada hoje num banco de praça em Curitiba, toca junto desde 1979!” Era um abraço de brother em palavras no Face.

Bem, seguimos caminho e eu tirando sempre muitas fotos. Os rapazes foram para outro restaurante e eu fui para o hotel, almoçar no buffet e partir para a primeira rádio da tour, a Mundo Livre FM, às 17hs. Passear de carro por Curitiba é sempre bacana, a cidade é leve, boa. A Mundo Livre FM (assim como as outras rádios de pop rock da cidade) toca bastante duas músicas minhas da carreira solo e sempre sou muito bem recebido lá. Dessa vez quem me esperava era a Margot, gente finíssima e que entende tudo de rock! A entrevista foi muito legal, rápida e suscinta. O papo pós entrevista sempre astral. E parti dali já pra Casa Cor, pra encontrar meus parceiros de banda. Seria esse show, um acústico só comigo (como já fizera outras vezes para eles), mas dessa vez incluí os rapazes, pra começarmos juntos a turnê que iria de terça a domingo.

Cheguei antes da galera e dei umas voltas pela casa Cor, sempre muito bonita, bem montada, seja no RJ, São Luís ou Curitiba (citei essas três cidades, pois foram as que fiz shows nesse evento). Eu já havia tocado no ano anterior (2013) e tinha sido muito bom, por isso o novo convite das MGM. Dessa vez foi mais legal ainda, pois estávamos em trio. Fernando no baixo, eu no violão e Kadu no bongô, cajon e pandeirola.

O show foi no clima perfeito, juntou muita gente e deu certo. Roberto da MGM comentou no Facebook o seguinte: “Um show de Rodrigo Santos, é um show de Rodrigo Santos… Mas um Show de Rodrigo com Fernando e Kadu é algo muito especial! Os três são os três… São dez, são mil… Milhões… São muito especiais e se completam. Resumindo bruscamente, feliz de quem pode ver a alegria dessas crianças se divertindo em conjunto!”

Foi realmente bacana. Partiu hotel e o único dia em que eu poderia dormir bem (já q saí de casa sem dormir quase) era nessa noite. Porém, Rui havia marcado várias rádios no dia seguinte – quarta, 24 – começando às 8 da manhã. Pra estar às 8 na rádio, acordei às 7 e tomei café no maravilhoso hotel Radisson, onde a MGM nos colocou. Um hotel de primeiríssima linha com quartos bacanas, serviço de restaurante excelente e realmente ficamos muito bem hospedados. Uma das melhores camas de toda a turnê. Um verdadeiro Hotel Maravilha (pode ser o nome do livro, com subtítulo “Diários de bordo da estrada – viu van entra, viu comida come, viu cama dorme.”

A rádio de início era a Lumen, para a qual eu havia feito um evento acústico na semana anterior a essa, no Pátio Batel, shopping em Curitiba. A Lumen toca muito as minhas músicas e o show no shopping havia sido bem legal, a galera cantando as acústicas e tudo. Ao voltar essa semana, fui lá na radio para uma entrevista às 8 da manhã. É uma radio parceira e fui muito bem recebido pela Ana. A entrevista foi ótima.

Parti então para a Transamérica, outra rádio parceira. Fiz uma grande entrevista com Pedro de Luque. Galera gente muito do bem. Dali parti para o hotel, peguei minhas malas, almocei e trocamos de hotel para o Slaviero Slim (hotel do segundo show em Curitiba). O Slaviero é uma rede bacana, é daqueles muito legais também, uma espécie de “pau pra toda obra”, bom, limpo, barato, quarto bacana e com serviços de salgados e chocolates na recepção do hotel. A cama é ótima. Vi um pouco do volêi feminino do Brasil e parti com Rui pra mais duas rádios, Pan e Educativa, que também tocam minhas músicas. Fim do trabalho de rádios agora às 21:00 na Jovem Pan e daqui a pouco showtime!

O show não estava tão cheio, pois era uma quarta-feira chuvosa. Porém, as 150 pessoas que havia lá na casa, eram bem fiéis ao nosso show e ao rock que fazemos há tempos em Curitiba. Foi um showzaço, onde toquei muitas músicas da carreira solo e fiz um show grande, apesar de ser ainda o segundo da turnê de 5. Eu, Kadu e Fernando detonamos! Foi um prazer.

A produção da Catia Zelia (que nos leva, busca, emite aéreas, faz viagens de turismo com sua agência, faz a produção do transporte para o show do Empório e é braço direito do Silvio – dono -, foi de uma presteza ímpar como sempre. Tudo deu certo e o show foi dos melhores lá. Estamos vendo um sábado lá. O Silvio é meu parceiro já. Ele sempre emite as aéreas da tour pelo Empório e o dia do rock lá é quarta, então já partimos de quarta-feira as turnês no PR. Na verdade, essa partiu terça, pela Casa Cor, mas o restante da logística seria pelo Empório, por isso a troca de hotel de um dia para o outro.

Algumas mudanças de datas seriam feitas durante o trajeto dos 5 shows, tive de voltar ao RJ por motivos particulares e pra fazer um outro evento (que acabou pintando porque eu teria de estar no RJ) e tanto Catia (ecologica tour), quanto Roberto Mello (MGM), quanto Silvio (Empório) nos ajudaram muito nisso. Rui também me ajuda muito em Curitiba.

O Empório é uma espécie de Cavern Club de Curitiba e foi nosso décimo show na casa. É um lugar rock e onde dividimos o palco com uma banda local, sempre muito boa, como a Haullys (com quem já participei de shows), ou Sid Vinicius (com quem já fiz participação também).

Depois do show do Empório, lá pelas 4 da manhã, deitei para descansar dos dias quase que virados. Era o dia onde recuperaria a voz e dormiria até meio-dia, quando chegaria a nova van para nos levar a Ponta Grossa, uma hora e meia de Curitiba. Todos acordamos mais tarde e dormimos bem. Pra facilitar, enquanto esperávamos a van chegar (chegou às 14hs), almoçamos juntos no Slavieiro em companhia da Catia (que foi pagar as diárias).

Na estrada procuro tomar o máximo possível de canjas de galinha e água sem gás e sem gelo. Pra poupar a garganta mesmo. Pouca fritura, etc. Tenho de me policiar. As vezes abro exceção para um Big Mac, se estiver sem tempo de almoçar ou jantar. Mas no geral da história tento ser o mais disciplinado possível nesse quesito, senão o ultimo show dos 5 será prejudicado. E eu também serei prejudicado.

Na van para Ponta Grossa – dia 24/09/14 – fui tirando as músicas do The Police que faremos com Andy Summers em novembro (2014) no Brasil. Será uma turnê de 5 shows e eu cantarei e tocarei baixo. Portanto, no avião, van, carro e cama, fico decorando as fonéticas, tirando as harmonias, vendo os tons (devo fazer no mesmo do Sting) e entendendo as canções. Algumas já tocamos em trio e o Andy já participou conosco, como “Every Breath You Take” e “Message In The Bottle”. Outras, como “Sincronicity II” e “Every Little Things She Does is Magic”, tem arranjos diferentes ao vivo e estou tirando as duas versões, de estúdio e ao vivo, pra saber depois com Andy quais serão as escolhidas. Não é fácil, as letras são grandes, palavras diferentes das habituais, gosto disso, faço isso em minhas letras também. E ainda tocarei baixo e cantarei agudo. Então usamos a estrada pra conversar sobre isso.

“Roxane” já cantei com Menescal no meu show “Motel Maravilha” e “So Lonely” eu tocava com Kadu em nossa banda de 84, o Front. Temos só de saber o arranjo. O tom já foi mudado pelo Sting do original para a turnê do RJ em 2008, acompanhei a mudança. Aliás, eu e Kadu abrimos com o Front um show do Barão em 86 na Universidade Santa Ursula, onde tocamos “Every Breath You Take”. O Front tinha influência de Police, portanto somos fãs do Andy e queremos estar bem afiados quando formos fazer os 5 shows. Será tocado da nossa maneira, mas quanto mais soubermos o que fazer, melhor, pois só teremos 2 ensaios e um deles será apenas para o outro projeto (2 shows) onde o Menescal fará com a gente (misturando músicas do DVD dele com Andy), de rock e bossa nova, no projeto Inusitado, de André Midani, na Cidade das Artes, RJ.

Portanto, são dois shows diferentes com Andy e em alguns eu cantarei versão bossa nova sem tocar baixo, nos outros tocarei baixo e cantarei em formato rock. Muita coisa para pegar em 30 dias apenas (dia da chegada do Andy para ensaiar) e para fazer dois tipos de shows diferentes. Vamos por partes, enquanto isso escutamos as versões ao vivo na van, para Ponta Grossa.

Chegando lá, entre muitas fotos e textos, paramos no hotel Pax de Ponta Grossa – um bom hotel, daqueles que cobre todos os serviços, com quarto bom, cama boa e TV a cabo sem Sportv…rs. Naim nos recebeu lá e dali já fomos pra passagem de som.

Lá, na passagem de som no Baviera (nosso Cavern Club de Ponta Grossa), ficamos tocando as músicas do Police, só pra dar uma adiantada e saber se os tons estavam legais. Levei as letras. Eu já estava com a voz meio rouca e não quis forçar, porém mesmo assim vi os baixos e cantei algumas no agudo, olhei as pronúncias de frases interligadas (cada cantor tem sua interpretação pessoal e com o tempo, se come algumas sílabas no improviso daquela canção executada pela milionésima vez) e acabei passando todas as 7 com Fernando e Kadu.

Eu estava tentando me poupar, pois nesses lugares todos que tocamos, o público fica tão próximo que eu sabia que ficaria depois tirando fotos e conversando com todos, como sempre faço após os shows. E isso vai minando a voz. Como não quero ser grosso, tento me poupar durante o dia e vou aquecendo a voz no hotel antes dos shows. Depois falo com todo mundo, mas procuro sair rápido assim que tiver completado a última foto.

Vou pro hotel enquanto Kadu fica desmontando a bateria. Fernando fica com Kadu também e os produtores locais arrumam os carregadores e seguranças que sempre pedimos por contrato. Muita água na passagem de som também. No avião, na van, água o tempo todo (água temperatura normal – nos 5 dias não bebi sequer uma água gelada ou coca cola. Nem depois dos shows).

Em casa complemento com muita água de côco. Já tive de tomar injeções pra garganta, com corticóides (Diprospan – fiz a letra de “Remédios” pensando nisso também) e resolvi não tomar nunca mais. Uso o fone também, que Kadu liga no meu cabo. Portanto, cuidados com a voz se fazem muito necessários. Disciplina é liberdade, já dizia o poeta.

O show foi uma porrada! Lotado! Foi a terceira vez em Ponta Grossa e já temos um ótimo público. Galera cantando tudo e arrisquei várias da carreira solo também. Todos conhecem “Remédios” já. E algumas do DVD “Ao Vivo em Ipanema” que continua passando nas TVs.

Eu não sinto isso na correria do dia a dia, mas pelo que me falam, acho que a carreira solo está crescendo na velocidade boa e consistente. Tanto na imprensa, quanto com o público. O local parecia um show do Sex Pistols! Showzaço. Entre a pasasagem de som e o show, jantamos lá mesmo no Baviera. Uma comida ótima, super bem temperada e fui no frango com arroz e legumes.

Depois fomos pro hotel, tomamos banho, voltamos e ainda dentro da van fizemos uma entrevista para a Dany Rocha (da Band) que marcara comigo pelo Facebook. Foi ótima a entrevista! Era um prenúncio do que seria o show. Ela e o marido curtiram muito o nosso rock! Fim e show, dormir 2 horas (não consegui) para voltar ao RJ.

Pegamos novamente a van e saímos às 6 da manhã para Curitiba. Estava chovendo bem no PR nessa turnê, e pegamos vôos muito turbulentos, mas eu fico no meu som escutando alto e vendo o avião sacudir prum lado e pro outro, ao som de James Taylor ou Norah Jones. Me acalma. Não tenho medo de avião, mas todos os voos dessas viagens foram desconfortáveis nesse quesito, muita jogação. Mas isso não é motivo para não fazer turnês. Minha vida é essa. Escolhi isso pra fazer e é minha missão. Portanto, vamos nessa.

Chegamos no aeroporto bem cedo, às 8 (dormi meia hora na van, escutando Police). O voo era às 10hs. Tomamos café no aeroporto de Curitiba, um café reforçado, pois o dia ia ser cheio. Eu estava voltando ao RJ por problemas hospitalares de gente ligada a gente, porém, já que íamos voltar (originalmente faria outro show no Paraná, na sexta 25), acabei aceitando fazer um outro show, que eu tinha recusado antes. Era numa mansão no Leblon, uma festa fechada, em casa de amigos.

Chegamos no aeroporto do Galeão às 14hs (depois de uma conexão que atrasou em SP) e a passagem de som era até às 15hs. Fomos direto (eu passei em casa para resolver esses problemas que citei antes e fui pra lá depois), não deu pra tocar, só checar as vias pra ver se estava tudo funcionando. Encontrei meu empresário Luiz Paulo lá. Ele já tinha feito toda a logística de som, troca de emails com o cerimonial e estava nos esperando no sound check.

Cheguei de volta em casa às 17:30, encontrei minha mulher e filhos e dei graças aos céus que ia dormir em casa aquela noite com eles. Dormir? Isso é modo de falar…rs. Fui pro show às 22hs e atacamos pontualmente às 23hs. A Deborah Cohen era a cerimonialista da festa. Pessoa muito competente e que nos recebeu muito bem, feraça no que faz.

Nós fizemos um show impactante, em frente a piscina, juntou toda a festa na frente do palco e foi uma catarse. Estávamos cansados, era o quarto show seguido e sempre fazemos no maior gás. O corpo vai cansando. Alguém soprou que o Boni estava na festa. Demos um gás maior ainda pra ver se entrávamos nos programas de TV…rs. Mas no final vimos que não era o Boni, era parecidíssimo com ele. Era muito gente boa, mas não era o Boni. E aí Fernando deu o apelido de Toni! José Tonifácio, o Toni! O filho era Toninho, rsss. Imaginamos ele como um diretor de filmes Bs ou pornôs, ou até que teria um nome como PBB (Pornô Brother Brasil, algo do gênero) e que estaria ali a cata de talentos. Isso nos renderia gargalhadas durante as próximas 48 horas.

O show foi sensacional e 8 cartões foram distribuídos, mantendo assim a média de que a cada show nosso, mais 4 serão marcados. Isso é fato. Mas estávamos quebrados. E faltava um show ainda, a primeira vez em Maringá. O show da festa acabou a meia-noite e meia, depois de 3 bis não combinados. Muita atenção depois as pessoas, fotos, troca de ideias e eu segurando o máximo que dava pra não falar muito alto, mesmo com som de DJ rolando.

Cheguei em casa 1:30, minha família ainda acordada (sexta-feira) e foi ótimo pois pudemos ficar juntos, ver filme, etc. As 6 da manhã eu ia sair de novo pro aeroporto, ou seja, 4 horas depois de chegar em casa. Mas deu pra matar as saudades nesse pit stop não programado no RJ. O despertador tocou às 5, levantei 5:15, outro despertador (o de reboque) tocou às 5:30 no banheiro (deixo um iPhone carregando no banheiro, pois quando toca, me lembra que tenho 15 minutos até chegada do táxi).

A essa altura eu já tinha deixado a mala grande em casa e parti só com a mochila para o último show e com duas roupas na bagagem. Muito cansado. Porém fui despertando aos poucos, o clarear do dia e a ida pro aeroporto me deu essa despertada. Nos encontramos novamente no Galeão às 6:30. Já no balcão da Azul. Eu levei só um baixo dessa vez, pois estava cansado, era o último show e eu não despacho instrumentos, pois fico com medo de extraviar. Então mesmo morto, eu levo nos ombros.

Nos outros 3 shows, levei também o violão para fazer o Casa Cor acústico. Fernando me ajudou a carregar o violão. Eu levei os dois baixos. Ele levou uma guitarra e despachou a outra (sempre faz isso, pra evitar o desgaste das conexões). Nesse último show levei só um baixo e deixei o violão e o outro baixo em casa. Não levei nem estante de instrumento. Eu queria chegar no domingo em casa sem precisar ir nem na esteira do aeroporto. Sair direto do avião para casa!

Nunca acontece intempéries desse tipo, mas nesse dia aconteceu. Depois de um voo turbulento e uma conexão em Campinas, pegamos o outro voo para Maringá. Eu havia tomado café no aeroporto do RJ. Chegando em Maringá, ao pegarmos as bagagens, estava faltando uma guitarra. Havia sido extraviada. Fomos então registrar queixa etc, no balcão do vazio aeroporto de sábado 27/09 em Maringá.

Coincidentemente, a outra única vez que isso havia acontecido, tinha sido também nesse aeroporto de Maringá, numa ida para algum show numa cidade próxima. Naquela ocasião a guitarra do Fernando também desaparecera e demos queixa. Da outra vez apareceu na mesma noite e um voo a trouxe de volta. No dia seguinte pegamos no aeroporto de Maringá. Dessa vez não se sabia mesmo onde estava e acabei fazendo um post no Facebook sobre isso. Coloquei fotos do Fernando com a cara brava, etc. Aliás, com toda razão. Pela segunda vez a Azul daquele aeroporto dava mole.

Enfim, o cara do carro já estava lá nesse momento e fomos para o hotel, sem dormir ainda, apenas alguns minutos no avião. Uns 20 minutos do aeroporto pra lá. Passamamos pelo Túnel Horácio Racanello que corta a avenida principal de Maringá por baixo da rua. É a obra mais faraônica de Maringá, mas funciona bem. A cidade é linda e plana. O hotel Íbis agrada sempre, pois é simples, porém tem tudo que se precisa numa turnê corrida.

Fui tirando fotos com a câmera do motorista, registrando as placas, as árvores, a linda cidade plana, o dia meio nublado (chovia também), eram umas 11 da manhã e chegamos ao hotel às 11:20. Eu gosto muito da rede Ibis. Não tem serviço de quarto e nesse dia fui obrigado a aceitar um Big Mac amigo trazido pelo Kadu do shopping que ficava ao lado. Mas aí já estou falando de 21:45hs da noite. A tarde eu dormi. De 14 às 20hs, eu apaguei.

Quando acordei, soube que Fernando recuperara a guitarra, ela estava apenas “passeando” por Porto Alegre e seria entregue na casa do Fernando no dia seguinte, domingo, no RJ. Muito legal! De 20 às 22hs fiquei vendo programas bacanas da Globonews, do Willian Wack, a quem adoro. Fiquei alternando também com um filme sobre atentados terroristas. Eu havia marcado a passagem de som às 22hs. De 22 às 23hs, hora em que abria a casa. Portanto, foi minha hora de dormir e preparar a garganta para o último show dos 5.

As 21:45 Kadu me levou esse Big Mac e eu já estava de banho tomado para descer pra passar o som. Agradeci muito. Dei um gole na Coca-Cola e depois só água quase quente…rs. Era a preocupação de fazer um grande show de estreia em Maringá. Eu estava feliz, pois havia saído uma matéria muito bacana no principal jornal da cidade. Era matéria de página inteira, onde eu dava uma porrada também nos sertanejos universitários, além de falar dos meus projetos e 20 shows por mês.

Me perguntaram se Lobão e Cazuza eram “muito porra louca”. Respondi que porra louca eram os sertanejos universitários que faziam a mesma letra, os mesmos acordes e as mesmas melodias em todos os discos. Isso era porra louquice das mais nefastas. Falei que quem compõe “Me Chama” ou “Codinome Beija-Flor”, nunca será porra louca e sim poeta de uma lucidez que beira a genialidade.

A matéria foi ótima e senti que seria um grande show. “Esse cara sou eu”, sim, esse foi o título da matéria do principal jornal de Maringá, que deu página inteira e foto minha bem grande. O MPB Bar é um lugar muito bom para shows. Cabem 700 pessoas e é decorado com fotos de rock, guitarras, etc. Os donos Crério e Mateus são muito gente boa e o André, gerente, também. O técnico de som super eficiente e fez um som de primeira.

Um amigo do Paraná que lançou um livro onde participei junto com Lobão, Lenine, Fernando, etc, com dizeres de pilot escritos no braço do artista com nome de uma música autoral escolhida pelo mesmo, estava no MPB. O Luiz. Ele havia visto o post que coloquei no Facebook sobre a guitarra extraviada e partiu de Londrina com uma guitarra emprestada por outro amigo, Luke de held, fazendo a enorme gentileza de nos levar para ter uma guitarra reserva. Era uma guitarra 72 (Fernando sabe melhor qual é). Luiz é um grandíssimo fotógrafo e acabou ficando com a gente no camarim, passagem de som e show. Virou um amigo meu.

Na passagem, ensaiamos The Police também. Temos de aproveitar todos os tempos úteis para isso. A passagem acabou às 23:15, já tinha bastante público na porta. O show seria a 1 da manhã. Voltamos ao hotel e ainda deu tempo para um novo banho, um café e voltar ao local do show. Quase lotado. Umas 600 pessoas e um clima excelente. No camarim, muitos salgados, café, águas, frutas e um pessoal super prestativo. Adorei a casa.

Showtime! Entramos pontualmente a 1 da manhã. Já atacamos de “Maior Abandonado”, “Remédios”, “Corações Psicodélicos” e outras. Uma hora e 45 minutos de sucessos e autorais. O público foi à loucura e os donos adoraram. Como era o último show dos 5, me permiti a gritar mais nas músicas mais rasgadas, como “Satisfaction”. Esse meu amigo fotógrafo Luiz, registrou um comentário no Facebook: “Ontem em Maringá terminou assim. Um show sensacional e o melhor comentário da noite foi: Nossa, esses caras tocam com a mesma empolgação que jovens de 15 anos!” Um outro comentário de uma fã chegou pelo Face: “Show sensacional… O melhor de todos os tempos no MPB!!!

Realmente havia sido muito bom, um showzaço! E realmente tocamos com a disposição de garotos de 15 anos. Só que temos 50!!! E estamos nesse momento exaustos, prontos para atender as pessoas no palco e no camarim e voltar para o hotel pra fazer a mala, tomar um banho, deitar 2 horas, acordar e partir de novo pro aeroporto `As 7:30, pegar o vOo das 9:30 com conexão em Campinas e novamente chegando no Galeão.

Mas sim, adoramos os elogios! No final do show um entrevero entre Kadu e o baterista da banda local (não sei o nome, e nem diria, mas o batera e guitarra eram muito mal educados), pois o cara ficou jogando pro lado as coisas do Kadu – enquanto Kadu ainda desmontava as coisas – tentando forçar a saída dele do palco, pra banda já entrar logo e aproveitar nosso público – uma coisa completamente escrota. Nunca fizemos isso com ninguém em 30 anos de estrada e mesmo nos trampos solo, respeitamos todas as bandas, esperamos todas as desmontagens no seu devido tempo, mesmo que isso signifique tocar para 10 pessoas as 5 da manhã. E todas as bandas nos respeitam também. Esse é o truque (regra básica) da longevidade e mútua admiração entre músicos: o respeito.

Esse baterista da banda “sei lá o que”, foi um Mané, um babaca, grosso e mal educado e aí vou citar uma música da banda Tia Nastácia que gosto muito “o cara nasce Mané, cresce Mané, morre Mané”. Enfim, nada que tirasse nossa alegria por ter feito tanto sucesso em Maringá na nossa estreia solo. Chegando ao RJ depois de 5 shows, 7 aviões, 4 vans, 4 carros e muita história na bagagem. Feliz. Muito feliz! Pronto pra próxima aventura com meus amigos. Haja água morna, boina e despertador…rs

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