Diário de bordo – Shows Roraima, São Carlos e Campos

“14/11 – às quatro da manhã, sem dormir, saí de casa para o Galeão para fazer um show com Rodrigo Santos & Os Lenhadores em Roraima. Vôo às 7 da manhã. No avião estariam também nossos brothers dos Detonautas, só sangue bom. Até chegar em Roraima com conexões e escalas, não dormimos, pois colocar o papo em dia foi a coisa mais bacana entre as duas bandas resistentes no rock. Piadas, últimos acontecimentos, política, esportes, enfim, tudo.

Desembarcamos em Roraima às 14hs. Chegando no hotel, depois de recebidos pelo Passarinho, organizador e mentor do sétimo encontro de motos de altas cilindradas, já fomos direto para entrevistas de Tvs e rádios, eu acabei nem almoçando. Fui dar uma olhada no local do show e fazer uma entrevista sozinho às 16:30, enquanto meus músicos ficaram no hotel descansando. Voltei para o hotel, depois de conhecer a simpática galera do tradicional evento (que esse ano ainda tem Detonautas, Biquíni Cavadão e Plebe Rude, mas já teve Frejat e outros). Já eram 18:30. Às 19hs, no quarto, DEPOIS DE TROCAR AS CORDAS E BATERIA do meu baixo Yamaha, saí para passar o som (que atrasaria mais de 2 horas, pois não chegara o gerador). Detalhe técnico: eu só podia tocar até meia-noite, pois teria de estar no aeroporto de Roraima às 00h40. Então tinha de começar o show às 23hs. Nossa passagem de som foi até 22hs. Ida no hotel, banho de 10 minutos, café pra acordar e eis que às 23hs começamos o show dos Lenhadores. Além de eu ter de ir pro aeroporto, os Detonautas também tinham horário. Tinham de acabar às 01h50 pra também ir pegar um vôo às 3h00.

Nosso show arrebatou uma multidão e saímos de lá ovacionados, desci em Satisfaction, correndo pela rampa de motos na frente do palco, rolou uma histeria, me senti o Jagger (rs). Distribui 100 cds Motel Maravilha para o público e cantei na plateia, correndo de um lado pro outro e aproveitando as duas passarelas de moto pra rodar da esquerda pra direita. Como faço sempre, nessa hora chamo um baixista da plateia pra participar e eu poder ficar livre como vocalista. O Macarrão, da produção dos Detonautas, foi o escolhido e tocou muito bem enquanto eu fazia de tudo lá embaixo no meio dos gritos histéricos. Acabou o show lá no alto, com pedidos de bis! Aí atendi a todo mundo, fiz sessão de fotos com o público na grade e o tempo de ir pro aeroporto começou a apertar. Dei autógrafo nos 50 cds, troquei de roupa no camarim, sem tempo pra banho. Entrei no camarim dos brothers detonáuticos que se preparavam para fazer o show, dei um abraço e parti. Ambas as bandas, em horários diferentes, teriam a volta cheia de escalas e conexões, até chegar em seus destinos, diferentes. Minha banda ficou lá pra ir no dia seguinte, pois teriam compromissos diferentes dos meus.

Eu ia tocar em São Carlos com uma excelente banda local, pois os “rapazes” supostamente teriam gravação do programa Amor&Sexo. Me despedi de todos, embarquei 1h40, horário certo, suado, cansado, mas ainda na adrenalina do super show. Cada espaço que se abre pra mim em grandes festivais, me concentro pra arrebentar e a adrenalina fica a mil antes e depois do evento. Procuro concentrações e diversões totais! Então dormir nem pensar, só se fosse num case na passagem de som…rs. Quando entrei no avião pensei: bem, agora durmo até Manaus uns 40 min se não me acordarem pra comer goiabinha ou cereal no meio do voo! Me acordaram na hora em que comecei a apagar. E dá-lhe água morna pra poder cuidar da garganta. Pensei: bem, apesar de ter 3 conexões, troca de aeronaves toda hora, etc, até o RJ, durmo uns minutos então de Manaus a SP e depois de SP ao RJ, onde desembarcaria da GOL as 11h30 pronto para reembarcar as 13h30 para Campinas pela AZUL e pegar o carro pra São Carlos e aí sim dormir um pouco lá pras 16hs, sabendo que eu teria de ensaiar com uma banda que eu nem conhecia… Enfim, isso eu mesmo carregando minha mochila e dois baixos, pra qualquer emergência eu não precisar esperar esteira, etc, viajo sem roadies, no osso. Bem, coloquei uma placa no meu pescoço escrito “nao perturbe, do not disturb, nao quero pagar pra comer no avião, não quero goiabinhas e dispenso a ruffles”.

Que nada, em 10 min fui acordado por uma tempestade e a voz do piloto dizendo que não havia condições de pouso em Manaus e que voltaríamos a Roraima para abastecer a aeronave! A essa altura não desembarcamos do avião, mas a tensão estava no ar. Pra onde iríamos? Nessa hora soube que os Detonautas estavam passando pelo mesmo problema de ir pra Manaus, só que pela TAM. Seguindo: falei com Fabinho, batera dos DRC, por inbox do face e ambos nos desejamos boa sorte em suas roubadas individuais. O Face é ótimo pra isso nesses momentos. Dá um conforto. Seguindo, o comandante nos fez esperar 30 min para saber se a decisão da torre seria voltar à neblina de Manaus, que poderia estar se dissipando. Que nada. Uma voz diz: vamos à Brasília! Pensei, “já perdi 3 horas nessa brincadeira e meu destino já não é SP mais”. Muitas indecisões e confusões a bordo. Mantive minha serenidade e calma. No vôo pra Brasília dormi meia hora, ao som de Norah Jones no fone. Meia hora era então uma ETERNIDADE.

Chegando em Brasília, carregando instrumentos e mala, e suado (rs), começou a confusão da GOL, tumulto de itinerários, fila desorganizada, muita gente gritando e eu já sabia (já estava sol nessa hora) que não teria de tempo de pegar o vôo da AZUL pra SP às 14h30, pois o próximo voo DF-RJ era às 14h40. Portanto, eu era o primeiro da fila quando tentei convencer a mulher da GOL a esquecer meu trecho do RJ e me colocar num vôo direto pra SP, onde desembarcaria e ficaria mais perto do meu destino (São Carlos). Ela me respondeu que não podia mexer no meu trecho. Expliquei que tinha show, etc e que ia perder o horário, pra ela me encaixar em qualquer uma. Me mandou sair do desembarque e tentar na loja, trocar meu trecho! Tentar? O problema não era meu, era deles. Mas tinha tanta gente gritando com as funcionárias, que resolvi já deixar como tava e ir pelo meu voo mesmo até o RJ, mesmo chegando mais tarde, as 16h40 e perdendo o voo da AZUL RJ-Campinas, que só tem dois por dia. Comprei então o trecho de número 2, RJ-Campinas às 19h50. Esperei duas horas no aeroporto de Brasília sem dormir, suado, para embarcar às 14h40 para o RJ.

Chegando no RJ, três goiabinhas depois e muita água temperatura ambiente e suado, cheguei ao RJ as 16h40 sem dormir. Resolvi ir em casa tomar um banho, abandonar instrumentos (em São Carlos eu teria um baixo a minha disposição e uma banda que eu nem conhecia ainda, que tiraria o repertorio por email, links de Youtube, etc, numa casa que eu nunca tinha tocado ainda). Deixei as roupas molhadas também e peguei uma carona com minha mulher e filho de volta ao Santos Dumont, com direito a trânsito no Aterro, por conta do feriadão de 15/11. Já cheguei embarcando no avião da AZUL e aí sentei do lado de um cara que viu que eu estava lendo o Globo (meu nome citado na coluna do Dalieve sobre o Ney, etc) e conversamos sobre o Mensalão até chegar em Campinas! Aí sim comi Goiabinha (uns 4 sacos com 3 unidades em cada).

Chegando às 21h00 em Campinas, carro me esperando. Fomos na estrada escutando Guns´n´Roses altaço nos falantes. NO MEIO DA ESCURA ESTRADA, UMA SURPRESA: FOGOS DE ARTIFICIO NO MEIO DO NADA, INVADINDO A ESTRADA! Uma sensação boa me invadiu! A sorte estava do meu lado! Um visual incrível no meio do breu da estrada. Bati fotos! Em duas horas chegamos no hotel, às 23hs. O show era meia-noite e meia. Fiquei no quarto lembrando o set list que mandei pra banda que eu ainda não conhecia. Fiz as ordens das músicas (com pilot que levo sempre, fiz uma folha pra cada). Já estava na hora de ir, vi 10 minutos dos condenados e seus advogados do mensalão, vi Roberto Jefferson vestido de Harley Davidson (lembrei do evento de moto da noite anterior e pensei: ainda bem que ele nao tava lá, senão eu dava a camisa listrada de preto e branco na horizontal) e parti pra CONHECER a banda!

BAR LOTADAÇO! Saindo gente pelo ladrão! Passei o repertório, falei das dinâmicas pra voz e atacamos! Usei um jazz bass foda, do meu amigo Dioy. Desfilei 2 horas de show (de 1h30 às 3h30) e tanto o guitarrista Rodrigo (que acompanha o Nasi às vezes), quanto o batera Mauro, deram um show! Tocamos muito e a plateia mais uma vez ganhou cds (60) e cantou tudo! Grata surpresa, puta banda! Saí de alma lavada, sem dormir e já marcando nova data (mesmo que vá com os Lenhadores dia 08/12, haverá canja dos 2 rapazes).

Bem, dormi de 5 às 7 da manhã e já estou na ensolarada estrada de São Carlos para Campinas. Escutando Floyd no carro e pronto para pegar o vôo das 11hs para o RJ. E assim que chegar, parto para show em Campos com os Lenhadores! Nesse momento, próximo ao aeroporto, uma carreta que transportava vigas de cimento, virou! Lá vamos nós! Ainda falta coisa! Obstáculos, rs! Mas nada nos deterá! Kadu e Fernando devem estar gravando no Projac. Nos encontraremos em breve. Dou um beijo na minha família, um mergulho no clube e 5 horas de carro até Campos, no Bola da Vez, Praia de Atafona!

Bem, nunca deixo contratante e público na mão, haja o que houver, eu chegarei!

E sou recompensado pelo astral da plateia, sempre nota 1000! E vamos aos próximos 32 shows até o fim do ano!

FUI!!!
Airplane again!!!

Rodrigo Santos”

Jamari França, um dos maiores críticos e entendedores de rock no planeta, transcreveu essas histórias do fim de semana, para o Blog dele, Jam Sessions! Confira aqui.

Leia aqui a matéria do G1 sobre o show em Roraima!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *