Entrevista para o portal G1

Entrevista dada ao portal G1 e publicada no dia 06 de março:

Por José Raphael Berrêdo

‘Estou dividido, no bom sentido’, diz Rodrigo Santos sobre volta do Barão

Com a carreira solo agitada, músico fala sobre turnê de 30 anos da banda. Artista lança DVD, prepara bloco dos Stones e palestra sobre vícios.

Em 2009, dois anos após o início das férias do Barão Vermelho, Rodrigo Santos via sua carreira solo pouco rentável. Parou, pensou e bolou uma estratégia para sair do buraco. A base da solução era uma só: fazer shows. Em dois anos, inverteu o sinal da conta bancária, do negativo para o positivo, com cerca de 220 apresentações na temporada, sem empresário para intermediar. Agora, confortável financeiramente, com novo DVD na rua (“Ao vivo em Ipanema”, com lançamento nesta quarta, dia 7, no Teatro Rival, no Rio de Janeiro), cheio de projetos e com o telefone tocando quase diariamente para agendar novos shows, terá que frear seu voo solo para participar da turnê dos 30 anos do Barão, inicialmente marcada para maio, mas que deve atrasar.

“Estou dividido, no bom sentido. Fiquei esperando muito tempo a volta, mas agora as coisas da carreira solo andaram, então confesso que tenho que tomar cuidado para não parar tudo. Amo o Barão, amo tocar com eles todos, e devo muito a eles. E também estou gostando do que estou fazendo sozinho”, diz, com certa preocupação, logo dispersada. “Acho que dá para fazer tudo. Vai ser demais a turnê”, anima-se o artista, que nesta quarta recebe Leoni, Jerry Adriani, Roberto Menescal, Tico Santa Cruz e Miéle no palco do Rival.

A ideia do grupo é fazer uma grande turnê para comemorar três décadas de estrada (Rodrigo entrou em 1992, dez anos depois do início da banda), com o lançamento de um álbum com o remix de sucessos, sem inéditas. “Eu gostaria de lançar um disco novo, mas a princípio é só a turnê, talvez um documentário também. Só que as coisas mudam muito, nunca se sabe”, considera.

A preocupação com a carreira solo, no entanto, faz sentido. Os últimos anos foram de muita batalha para conseguir se estabilizar financeiramente. Antes de “Ao vivo em Ipanema”, lançou três CDs – “Um pouco mais de calma” (2007), “O diário do homem invisível” (2009) e “Waiting on a Friend” (2010) – e “caiu na estrada”, como costuma dizer.

Em 2009, se viu devendo no banco e repensou a estratégia. Impulsionado pelo contrato com uma rede de cursos de inglês, que o levou para 70 shows pelo Brasil, fez contatos e abriu portas por onde passava. “Não tinha tempo ruim. Contratante só dava uma passagem aérea? Eu tinha banda com cinco, mas fazia com banda local. Me adaptei. Hoje em dia posso ir com o meu grupo”, conta, referindo-se ao power trio que forma com “Os Lenhadores” Kadu Menezes e Fernando Magalhães (Fernandão).

O ano de 2011 marcou a virada. Trabalhou sozinho para agendar os mais de 200 shows: vendia, divulgava, produzia. O mesmo saldo negativo que tinha no banco, transformou em positivo. “Ligar a disciplina ao lúdico é o segredo. E nunca deixei de fazer coisas menores. Me disciplinei a correr atrás de público”, lembra. “Acho que o segredo é que o meu show ficou famoso antes do meu nome, por ser um dos melhores shows de pop rock do Brasil, sem falsa modéstia. Tenho uma filosofia que é imbatível: show chama show. E adoro tocar.”

Outro diferencial para o sucesso do boca a boca é que Rodrigo adapta a seleção musical para cada público – sem fugir do repertório que incluiu suas fases como baixista de Barão, Kid Abelha, Leo Jaime, João Penca e Lobão. Como um DJ, que escolhe a música de acordo com a resposta da pista de dança, ele vai ao palco sem set list e percebe qual canção é boa para cada momento. “Peguei um timing bom, muito pela bagagem de tocar violão em fogueiras, em praias como Garopaba (SC). Sei entreter as pessoas. É uma característica que descobri na carreira solo.”

Vitória sobre o vício

A disciplina que alavancou suas finanças não seria possível sem uma outra vitória em sua vida. Quando o Barão voltou à ativa em 2005, após outras férias, Frejat, que também investia na carreira solo, deixou avisado que em 2007 a banda pararia novamente. Ali, Rodrigo Santos decidiu que era hora de traçar uma meta e se viu incomodado, mais do que nunca, com os excessos de álcool e drogas em sua vida. Procurou uma clínica e iniciou a terapia.

“Parei em 2 de agosto de 2005. É o meu segundo aniversário. E o Barão fez turnê até fevereiro de 2007. Usei os shows para pagar o tratamento. Achavam que eu ia cair, não ia aguentar. Por isso que depois virei coordenador na clínica, com 10 meses de abstinência. Nunca entrei naquele quarto. Comecei a levar violão e a compor todo o material do meu primeiro disco. Não é à toa que o nome é ‘Um pouco mais de calma’, né?”, lembra, com um sorriso orgulhoso. “Ao tocar ‘chapado’ você faz performance. Comecei a ter prazer em tocar, mudou a minha felicidade.”

O triunfo sobre o vício será compartilhado em palestras ao lado de Reinaldo, ex-atacante do Atlético-MG e da seleção Brasileira. Após o show desta quarta, com a presença do ex-craque, vão discutir detalhes da ação, cujo tema será “Álcool, drogas, futebol e música”.

Stones e rock no carnaval

“Limpo” há sete anos, sobra energia e saúde para trabalhar. Além de carreira solo, turnê com o Barão e palestra social, o artista ainda produz CDs (como o de Mauro Santa Cecília, coautor dos hits do Barão “Por você” e “Amor para recomeçar”), compõe (tem mais de 70 inéditas) e prepara outros três projetos para 2013: um bloco de carnaval com versões dos Rolling Stones, para desfilar no carnaval de rua do Rio; um trio elétrico só de rock, ao lado de Tico Santa Cruz, para a folia de Salvador; e um documentário do Front, banda que formou no início da carreira. “Haja fôlego”, brinca.

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