Rodrigo na Época e Sem Censura (dependência química)

O precoce falecimento do líder do Charlie Brown Jr, Chorão, reascendeu um tema muito polêmico, mas que deve estar cada vez mais presente nas discussões: o uso de drogas.

Rodrigo, que já está há quase oito anos limpo, virou referência no assunto e teve seu depoimento, originalmente postado em sua página no Facebook, publicado na revista Época desta semana (leia aqui).

Confira o que ele falou, na íntegra:

“Sobre as palavras da ex-mulher de Chorão ao Fantástico, eu completo com as minhas palavras (e concordando muito com as dela).

Mesmo achando que cada um é cada um e que organismos são diferentes de ser humano para ser humano, penso (e vivi) o seguinte: Posso dizer que é uma questão de tempo se a frequência não parar. Nenhum organismo passa impune se não der o stop. Isso sem contar a cabeça, que começa a ir embora antes… Antes de eu parar, nas últimas semanas, tive a mesma sensação da frase do Chorão, de que era melhor ir embora do que ficar sofrendo. É isso que a cabeça pensa quando não se está mais aguentando se drogar e também não se consegue parar. É um cabo de guerra. Então, nessa hora, independentemente de um organismo aguentar mais ou não do que outro, essa mistura rotineira de álcool, cocaína e tranquilizantes, leva a sua cabeça e alma embora. E, com ela, a vontade de viver – como bem disse a ex-mulher do Chorão, parece que é outro “ser” dentro do mesmo “ser”. É EXATAMENTE isso… Como disse o Kadu Menezes, mistura fatal. Se eu não parasse poderia ter o mesmo fim, ou então aquele outro fim que sobra: ficar maluco e perder tudo. Não sei qual eu achava pior… Então, por isso e pela minha família… Parei. Mas poderia não ter dado tempo.

Enfim, independentemente de escolhas, etc, e aquele papo, ou baboseira de sempre, de rock’n’ roll etc, uma coisa é certa: a cabeça não aguenta e o corpo, se quiser, decide.

Raras as espécimes que conseguem frear antes de ser freado fatalmente.

Espero que aqueles que ainda defendem ou rotulem tais atitudes (as que eu vivi até parar com tudo) como transgressoras e roqueiras, levem também em consideração que podem perder num piscar de olhos quem se ama – e às vezes é realmente por falta de informação sobre o termo “internação compulsória”. O que parece ser abusivo, é por milhões de vezes necessário. Ou então conviva-se com a saudade da perda antecipada.

Conheço casos de pessoas que agradecem a seus familiares até hoje por terem intervido nessa desenfreada loucura até a morte. E hoje em dia podem se dedicar mais a todos mundo, inclusive a si próprios!

Então antes das frases previsíveis e caretas de parachoque de caminhão tipo “cada um faz o que quer” , “ah, ele é assim”, “cada um decide o seu destino”, “ah, ele escolheu viver assim” , “é rock’n’roll”, “escolheu morrer assim” etc, deveria vir a frase: “Será que ele está feliz? Será que ele sabe o que está fazendo? Ou será que não sabe como sair dessa?”

Eu não acho que deva ser “cada um faz o que quer” na plenitude do que essa frase possa significar não. A não ser que se queira viver sozinho numa redoma ou numa bolha. Acho que infelicidade se espalha e respinga a volta de quem se ama e ainda bem que pude viver o que estou vivendo hoje em dia.

Não precisei ser internado a revelia, mas se precisasse, agradeceria a quem o fizesse, pois as vezes a força interna própria acaba, acaba mesmo, sucumbe a si mesmo, então precisa-se de OUTRAS pessoas.

Algumas pessoas às vezes não tem noção de que quem está passando por isso está SEM FORÇAS para reagir. E não porque são rock’n’roll, transgressoras, o pai se foi, ou a mãe se foi, e será assim até o final da vida etc! Por trás disso existe uma pessoa sensacional (no caso do Chorão) e que ficou sem forças. Foi isso.

Eu cheguei a ficar também, apenas dei mais sorte e escutei algumas pessoas na hora certa.

Mas galera, não precisa ser assim. Existe outra maneira de viver! O difícil é enxergar a tempo.

Think About This!”

Essa semana ele também participou do programa Sem Censura, onde falou sobre o tema.

Um comentário em “Rodrigo na Época e Sem Censura (dependência química)

  1. stella paula costa disse:

    Seria pra mim a realização de um sonho se vc colocasse no próximo DVD, essa música que vc já canta ao vivo!

    Mulher de Fases

    Charlie Brown Jr.

    Que mulher ruim
    Jogou minhas coisas fora
    Disse que em sua cama eu não deito mais não
    A casa é minha você que vá embora
    Já pra saia da sua mãe e deixa meu colchão
    Ela é “pro” na arte de pentelhar e aziar
    É campeã do mundo

    A raiva era tanta que eu nem reparei que a lua
    Diminuia
    A doida tá me beijando a horas
    Disse que se for sem eu não quer viver mais não
    Me diz, Deus, o que é que eu faço agora?
    Se me olhando desse jeito ela me tem na mão

    Meu filho agüenta
    Quem mandou você gostar
    Desta mulher de fases

    (Refrão)

    Complicada e perfeitinha
    Você me apareceu
    Era tudo que eu queria
    Estrela da sorte
    Quando à noite ela surgia
    Meu bem você cresceu
    Meu namoro é na folhinha
    Mulher de fases

    Põe fermento, põe as bomba
    Qualquer coisa que aumente e a deixe bem maior que o sol
    Pouca gente sabe que à noite o frio é quente e arde e eu acendi
    Até sem luz dá pra te enchergar, o lençol
    Fazendo “congo-blue”
    É pena, eu sei, amanhã já vai miar se aguente que lá vem chumbo quente

    (Refrão)

    Complicada e perfeitinha
    Você me apareceu
    Era tudo que eu queria
    Estrela da sorte

    Quando à noite ela surgia
    Meu bem você cresceu
    Meu namoro é na folhinha
    Mulher de fases

    Brigda Rodriguinho, coisa de vovó garotinha abusada 🙂

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