Tour Call The Police: diário de bordo + fotos + vídeos

DIÁRIO DE BORDO CALL THE POLICE TOUR 2017

“Em 11 dias uma epopeia indescritível!

Entre jantares, 3 ensaios e 4 shows (SP, Ciudad Del Leste, BH e Porto Alegre). Muitos momentos divertidos. Mas estar do lado de craques fica fácil. Muito fácil.

Eu não conseguiria descrever o que se tornou essa família “Call The Police”. Por mais que eu consiga entender que combinemos amizade, diversão, profissionalismo, amor a música e respeito uns pelos outros, a cada segundo parece que acontece uma novidade… E sempre boa. Sempre astral positivo. Não tem tempo fechado, nem medo de arriscar aventuras de vida, ou até os improvisos no palco.

Emocionalmente falando, está sendo um êxtase. Nada é tão bacana quanto uma convivência saudável, bem humorada, com espírito leve, almas generosas, talento reunido e grandes pitadas de sarcasmos, mixando o humor inglês com o brasileiro. A diversão é garantida. A ponto de passarmos isso no palco.

Agora o show pegou um corpo, que transcende o nosso próprio corpo físico. E está valendo arriscar o que quiser.

O ponto de equilíbrio está também na administração pessoal e profissional de Luiz Paulo Assunção, nosso tour manager, amigo pessoal de Andy, meu e agora de João.

João então, pra mim, foi igualmente um sonho poder tê-lo na tour. Se eu for falar do Barone baterista, estarei sendo redundante, pois pra mim ele é incomparável. O melhor de todos. Não apenas pelo virtuosismo ou a habilidade no instrumento. Mas na generosidade, na vibe construtiva e positiva, na elegância, no jogar para o time, na inteligência com que enxerga a vida, no relacionamento humano, na escrita, enfim, no grande ser humano que é, não à toa é esse cara super especial e carismático. João é foda.

Por ironia do destino, nunca havíamos estado tão próximos anteriormente em 35 anos de estrada. Já havíamos feito turnês juntos com Barão e Paralamas, mas a rapidez da estrada e a quantidade de pessoas nas duas turmas, dilui um pouco a possibilidade de conhecer melhor as pessoas. A não ser a admiração de vê-lo tocar desde o começo dos Paralamas. Sem João Barone, a magia dessa tour nunca seria a mesma. Não chegaria nem em 1/10!

Enfim, estou muito feliz, do lado de pessoas que pra mim, já significam muito dentro do meu emocionado coração.

O que dizer da nossa felicidade em ver o Vivo Rio lotado ? Sem palavras! Muito demais ver amigos artistas, familiares, jornalistas, meio musical de várias vertentes… Ter os nossos nomes gritados individualmente, em coro alto pelo público, no final do bis, foi das coisas mais emocionantes da minha vida. Não é demagogia. Foi uma supresa muito bacana. Voz embargada, olhos marejados… Sem palavras …

O último show da turnê teve um imprevisto. Nosso amigo e ídolo Andy Summers levou um tombo e fissurou o dedo da mão. Teve de imobilizar pra fazer cirurgia em LA. Ele ficou triste por não poder fazer o último show. Ao mesmo tempo estávamos nos divertindo com o bom humor de um acidente impensável é improvável e lhe dando apoio, o clima estava tranquilo.

Eu e Barone decidimos fazer o show, pois todos os ingressos haviam sido vendidos e em acordo com o pessoal da bela casa Paradise Garage, decidimos que quem quisesse o ingresso de volta, teria, para o novo show em novembro. E quem quisesse assistir o show, mesmo sem o Andy, tudo certo também, pois iríamos acrescentar músicas de Barão e Paralamas, junto ao excelente guitarrista da Pepperband, Gustavo Camardella, que se prontificou a ir rápido do RJ a Teresópolis.

Gustavo sabia todo o repertório do show, pois tinha ido ao show no Vivo Rio dois dias antes, e na casa do Barone um dia antes de ontem. Tínhamos até conversado sobre o show. É uma excelente pessoa e um maravilhoso músico que eu pessoalmente, nunca havia tocado junto ainda. Todas as texturas do Police, solos, arpejos, etc, em uma passada às 20:30 da noite, já deu pra ver que nada mais era preciso fazer. O show estava pronto de novo.

A partir daí, fomos no quarto do Andy, trocamos novas ideias, vimos como ele estava – ainda doce, gentil, preocupado com a gente também ( olha só!) – e dissemos que faríamos o show pois estava muito lotado e as pessoas veriam outras canções também.

Ele adorou, lamentou não poder estar com a gente, desejou boa sorte, contou um pouco sobre como foi a queda pra trás, onde o apoio da mão no chão o impediu de bater com a cabeça, mas fez a fissura que terá de corrigir, viu uns vídeos do show no RJ, e falamos sobre a volta em novembro para gravar o DVD. Estava muito confiante, mesmo com os 20 dias que terá de ficar de molho como guitarrista e já quer fazer mais “estripulias” conosco. E nós também! Rsrs

Bem, mantivemos nosso compromisso com o público que incendiou a casa, entendeu todo nosso sofrimento do dia, muita, muita, muita gente não pediu o dinheiro de volta (era uma linda decisão da casa de dar esse direito ao seu público) e fez questão de assistir a 2/3 do “Call The Police”, sabendo da perda de não ter o astro principal, mas com o mesmo rosto de alegria estampado em suas faces a cada música e nota de solos ou viradas que dávamos.

Deixamos a alma ali também. Fizemos questão de mostrar que Andy ficaria feliz ao ver o que estávamos proporcionando a uma casa lotada de gente animada, fã de Police e muito participativa. Andy ia adorar ter estado no show. Por isso voltaremos mais na frente.

Gustavo, eu e João Barone respeitamos o que deveria ser feito, mostrar boa música, não cancelar o show, mandar ver com a mesma alegria de sempre (mesmo em dias difíceis) e simplesmente fazer o que sabemos fazer: tocar, tocar, tocar e tocar.

Muito obrigado ao público sold out, que pediu bis, pediu tris (onde chamei meu filho Leo para tocar baixo nas músicas de Barão e Paralamas), lotou o camarim, pediu autógrafos, fotos, etc, também junto a todos produtores e produtoras do evento – sensacional – muito gentis e guerreiros, fizemos questão de atender até a última pessoa, junto com nosso empresário Luiz Paulo Assunção. Obrigado, Teresópolis!

E muito obrigado SP, BH, POA, Paraguai e RJ, que também viveram essa “viagem” e esse sonho com a gente, seja nos posts, diários de bordo, palcos, pistas e gargarejo. Cada dia foi INCRÍVEL!

Tentamos fazer chegar pela internet também para cada fã, de cada artista envolvido nesse trabalho, o que estávamos vivenciando. Em voos, mergulhos, quedas, notas, risadas, improvisos, humor, compreensão, diversão, preocupação, concentração, responsabilidade, pontualidade, respeito, carinho e amor.

O “Call The Police” continuará em novembro, com mais shows pelo Brasil e gravação de DVD. Temos uma química muito boa e pretendemos rodar o mundo com ela. Afinal, o que serão 20 dias de recuperação do nosso ídolo, perto de sua vivência aventureira e bagagem musical que vem dos anos 60 (Animals) até hoje (Police ou solo, ou Call the Police).

Um artista não se entrega jamais quando se diverte. Nem ele, nem nós!

Vida longa ao Call the Police e melhoras rápidas ao nosso grande amigo e generoso ser humano, Andy Summers.

Vamos que o mundo é nosso!!!”

– Rodrigo Santos

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